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Hipertensão arterial sistêmica em pacientes com gota.

Diogo Pereira Santos Sampaio, Vitor Alves Cruz, NilzioAntonio da Silva,
Jozelia Rêgo.
Serviço de Reumatologia – Hospital das Clínicas – Faculdade de Medicina –
Universidade Federal de Goiás – Goiânia – Brasil.

RESUMO:
Este trabalho teve como objetivos avaliar a prevalência de hipertensão
arterial, em pacientes com gota; descrever os medicamentos anti-
hipertensivos utilizados; e verificar a adequação às metas propostas pela VI
Diretrizes Brasileira de Hipertensão Arterial. Foram analisados 65 pacientes, e destes, 49 pacientes (75,38%) apresentavam hipertensão arterial. Trinta pacientes (73%) utilizavam duas ou mais classes de antihipertensivos. Vinte e seis pacientes (53,06%) não atingiram as metas pressóricas recomendadas. Conclusões: A prevalência de HAS, em pacientes com gota, é elevada. A maioria dos pacientes não cumpre as metas de controle pressórico, propostas pelas Diretrizes Brasileiras. A incorporação de instrumentos de estratificação de risco cardiovascular, durante o
acompanhamento desse grupo de pacientes, se faz necessária.


ABSTRACT:
The goal of this study was to evaluate the prevalence of arterial hypertension in gout patients; to describe the antihypertensive drugs used; and to determine adequacy to the goals proposed by the VI Brazilian Guidelines on Arterial Hypertension. Sixty-five patients were analyzed and forty-nine patients (75.38%) presented with arterial hypertension. Among them, 30 patients (73%) were using two or more classes of antihypertensives. Twenty-six patients (53.06%) did not achieve the recommended blood pressure goals. Conclusions: There is a high prevalence of SAH in patients with gout. Most of the patients do not achieve the blood pressure goals, as proposed by the Brazilian Guidelines. The incorporation of cardiovascular risk stratification instruments during follow up for this group of patients is necessary.


INTRODUÇÃO:
A gota é uma artropatia inflamatória crônica, considerada como fator de
risco cardiovascular, frequentemente associada a outras comorbidades,
dentre elas a hipertensão arterial sistêmica (HAS) ¹ .A hiperuricemia e a gota são fatores de risco independentes associados ao desenvolvimento de hipertensão, síndrome metabólica, dano vascular e doença renal. A hiperuricemia afeta negativamente a função vascular exercendo efeitos pró-oxidantes e diminuindo a biodisponibilidade do óxido nítrico, induzindo inflamação e disfunção endotelial, o que pode promover hipertensão, síndrome metabólica e doença cardiovascular ¹ .Este trabalho teve como objetivos avaliar a prevalência de hipertensão arterial, em pacientes com gota, em um hospital universitário; descrever os
medicamentos anti-hipertensivos utilizados; e verificar a adequação às metas propostas pela VI Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial

METODOLOGIA:
Foram incluídos pacientes com diagnóstico de gota, conforme os
critérios do Colégio Americano de Reumatologia (ACR) 2 . O diagnóstico de
HAS e as metas terapêuticas foram estabelecidos pela VI Diretrizes
Brasileiras de Hipertensão Arterial, da Sociedade Brasileira de Cardiologia ³.
RESULTADOS:
Este estudo descritivo, retrospectivo, avaliou 65 pacientes, sendo 60
pacientes do sexo masculino (92,31%), e 05 pacientes do sexo feminino
(7,69%), com idade média de 59,45 anos.
Os principais resultados são apresentados nas figuras abaixo:

Figura 1: Prevalência de HAS em pacientes com gota, no Hospital das
Clínicas de Goiânia – FMUFG – Brasil.


Figura 2: Número de anti-hipertensivos usados por pacientes com gota, no
Hospital das Clínicas de Goiânia – FMUFG – Brasil.

Figura 3: Classes de fármacos anti-hipertensivos prescritos para pacientes
com gota, no Hospital das Clínicas de Goiânia – FMUFG – Brasil.

Figura 4: Adequação dos pacientes com gota às metas propostas pela VI
Diretriz Brasileira de HAS, no Hospital das Clínicas de Goiânia – FMUFG –
Brasil.

DISCUSSÃO:
As doenças inflamatórias crônicas são consideradas como fatores de
risco cardiovasculares, devido ao efeito das citocinas pro-inflamatórias no
aumento da resistência vascular periférica e na ativação do endotélio 1 .
Nos pacientes com gota, a hipertensão arterial é uma comorbidade
prevalente. Choi et al 4 observaram HAS em 69,1% dos pacientes com gota.
No estudo de Richette et al 5 , a HAS foi a comorbidade mais frequente,
descrita em 68,1% dos pacientes. Per Wändell et al 6 descreveram HAS em
67,91% das mulheres com gota, e em 54,45% dos homens. No presente
estudo, a prevalência encontrada foi de 75,38%, semelhante aos dados da
literatura. No presente estudo, 36,74% dos pacientes usavam diuréticos, e 34,69% dos pacientes usavam um anti-hipertensivo da classe dos BRA. Em seu estudo, Richette et al 5 observaram que 44,4% dos pacientes estavam em uso de diuréticos. O uso de diuréticos é descrito como fator de risco significativo para o desenvolvimento da gota 1 . De acordo com as orientações do Colégio Americano de Reumatologia (ACR) para o tratamento da gota, os anti- hipertensivos da classe dos BRA devem ser a droga de escolha nessa população. Em nosso estudo, 53,06% dos pacientes não atingiram as metas pressóricas, recomendadas pelas VI Diretrizes Brasileiras de HAS. No estudo de Helena et al 8 , 69,3% dos pacientes com HAS, em seguimento na rede básica de saúde, não atingiram as referidas metas. A baixa prevalência observada em nosso estudo pode ser explicada pela grande freqüência de absenteísmo às consultas ambulatoriais, e dificuldades nos ajustes terapêuticos, visando ao cumprimento das metas pressóricas propostas.


CONCLUSÃO:
A prevalência de HAS, em pacientes com gota, é elevada.
A maioria dos pacientes não cumpre as metas de controle pressórico,
propostas pelas Diretrizes Brasileiras.
A incorporação de instrumentos de estratificação de risco cardiovascular,
durante o acompanhamento desse grupo de pacientes, se faz necessária.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. Perez-Ruiz F, Becker MA. Inflammation: a possible mechanism for a
    causative role of hyperuricemia/gout in cardiovascular disease. Curr
    Med Res Opin. 2015; 31 (S2): 9-14.
  2. Neogi T, Jansen TLT, Dalbeth N, et al. 2015 Gout Classification
    Criteria: An American College of Rheumatology/European League
    Against Rheumatism Collaborative Initiative. Arthritis Rheumatol 2015;
    67(10): 2557–2568.
  3. Tavares A, Brandão AA, Sanjuliani AF, et al. VI Diretrizes Brasileiras
    de Hipertensão. Arq Bras Cardiol 2010; 95(S1): 1-51
  4. Choi K, Hyon K. Prevalence of metabolic syndrome in patients with
    gout: The Third National Health and Nutrition Examination Survey.
    Arthritis Care Res 2007; 57(1): 109-115.
  5. Richette P, Flipo RN, Patrikos DK. Characteristics and management of
    gout patients in Europe: data from a large cohort of patients. Euro Rev
    Med Pharmacol Sciences. 2015, 19(4):630-639.
  6. Per W, Carlsson AC, Ljunggren G. Gout and its comorbidities in the
    total population of Stockholm. Prev Medicine 2015: 81(3): 387-391.
  7. Khanna D, Fitzgerald JD, Khanna PP, et al. American College of
    Rheumatology. 2012 American College of Rheumatology guidelines for
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    pharmacologic therapeutic approaches to hyperuricemia. Arthritis Care
    Res 2012; 64(10):1431–1446.
  8. Helena ETS, Nemes MIB, Eluf JN. Avaliação da assistência a pessoas
    com hipertensão arterial em Unidades de Estratégia Saúde da Família.
    Saúde Soc 2010; 19(3): 614-626.
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